Lulinha e a amiga íntima Roberta Luchsinger
O contrato de aluguel da mansão em Brasília que a lobista Roberta Luchsinger alugou para Fábio Luís da Silva, o Lulinha, foi firmado em nome de um terceiro e incluiu uma exigência de confidencialidade. Segundo informações da imobiliária responsável pela locação, a documentação foi assinada por Rafael Nicolau Fioruci Arbex, dentista que foi testemunha de Fernando Bittar no processo da Operação Lava-Jato relacionado ao sítio de Atibaia.
Bittar era o proprietário formal da propriedade, que passou por reformas realizadas pela Odebrecht, com participação das empreiteiras OAS e Schahin e do pecuarista José Carlos Bumlai, para ser utilizada por Lula. Segundo perícia da Polícia Federal, as obras custaram R$ 1,2 milhão em valores da época. Lula negou ter relação com o imóvel, mas foi condenado em 2019 a 17 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença, porém, foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.
Em depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba, em 2018, Arbex afirmou que morava gratuitamente no sítio de Atibaia a convite de Bittar e negou que a família de Lula frequentasse o local. Na ocasião, disse conhecer Lulinha e Bittar havia cerca de 25 anos. Lilian, mulher de Bittar, é prima do dentista. Arbex também é sócio das empresas Tex Serv e Texsaúde. Ele foi procurado em diferentes telefones registrados em cadastros públicos, mas não foi localizado.
A imobiliária TRK informou que Roberta participou da visita ao imóvel e das reuniões para discutir a locação, mas não foi a responsável pela assinatura do contrato. Segundo a empresa, a locação realizada em 2024 teve Rafael Nicolau Fioruci Arbex como locatário. A TRK afirmou ainda que Roberta nunca foi locatária em nenhum contrato intermediado pela imobiliária e que, após a primeira locação, eventuais novos acordos passaram a ser tratados diretamente entre o proprietário e os envolvidos.
A mansão tem três quartos, 2.110 metros quadrados e fica em um condomínio fechado às margens do Lago Sul. O imóvel foi alugado por R$ 28 mil, segundo informações da colunista Bela Megale, de O Globo. Procurado, o proprietário se recusou a fornecer detalhes e afirmou ter assinado um contrato de confidencialidade.
O advogado Roberto Podval, que representa Roberta Luchsinger, não respondeu aos questionamentos até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
A defesa de Lulinha, comandada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, afirma que o filho do presidente Lula nunca morou na mansão do Lago Sul, não cometeu irregularidades e não participou de reuniões com empresários ligados à lobista.
Roberta foi alvo de uma das etapas da Operação Compliance Zero, em dezembro de 2025, investigação que apura supostas fraudes no INSS. Na ocasião, ela publicou em seu perfil no Instagram uma foto dos pés cruzados diante da piscina da mansão. A publicação trazia a frase: “Aos mentirosos, apenas a justiça”.
As informações sobre o contrato, a participação de Roberta na negociação e a cláusula de confidencialidade foram divulgadas por O Globo.
